"Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?
À lei e ao testemunho! Se não falarem desta maneira, jamais verão a alva." Isaías 8: 19-20
A doutrina da imortalidade natural, a princípio tomada de empréstimo à filosofia pagã, e incorporada à fé cristã durantes as trevas da grande apostasia, suplantou a verdade de que “os mortos não sabem coisa nenhuma”. Eclesiastes 9:5. Multidões crêem que os espíritos dos mortos são os “espíritos ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação”. Hebreus 1:14
A doutrina de que os espíritos dos mortos retornam a fim de ministrar aos vivos, abriu caminho para o moderno espiritismo. Se os mortos são favorecidos com conhecimento que supera em muito o que antes possuíam, porque não voltariam eles à terra para instruir os vivos? Se os espíritos dos mortos estão a pairar sobre seus amigos na terra, porque não haveriam de comunicar-se com estes? Como poderiam os que crêem no estado consciente dos mortos rejeitar o que lhes vem como “luz divina” transmitida por espíritos "glorificados"? Eis aí um meio de comunicação considerado como sagrado, através do qual Satanás opera. Anjos decaídos aparecem como mensageiros do mundo dos espíritos.
O príncipe do mal tem o poder de trazer à presença dos homens a aparência de seus amigos falecidos. A contrafação é perfeita, e é reproduzida com maravilhosa exatidão. Muitos são consolados com a afirmação de que seus queridos estão desfrutando o céu. Sem suspeitarem do perigo, dão ouvidos a “espíritos enganadores e a doutrinas de demônios”. I Timóteo 4:1
Os que vivem sem se prepararem corretamente, pretendem viver no céu felizes após sua morte e mesmo ocupar ali elevadas posições. Pretensos visitantes do mundo dos espíritos por vezes proferem avisos e advertências que se demonstram corretos. Então, estando ganha a confiança, apresentam doutrinas que tentam derrubar o que diz as Escrituras Sagradas. O fato de declararem algumas verdades, e poderem por vezes predizer acontecimentos futuros, dão às suas declarações uma aparência de crédito, de modo que seus falsos ensinos são aceitos. A lei de Deus é posta de lado, o Espírito da graça é desprezado. Os espíritos negam a divindade de Cristo Jesus e colocam o Criador no mesmo nível em que eles próprios estão.
Conquanto seja verdade que os resultados da trapaça tenham muitas vezes sido apresentados como manifestações genuínas, tem havido também assinaladas exibições de poder sobrenatural, obra direta dos anjos maus. Muitos crêem que o espiritismo é meramente uma impostura humana. Quando postos face a face diante de manifestações que não podem senão considerar como sobrenaturais, serão enganados e levados a aceitá-las como sendo do grande poder de Deus.
João declara: “Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à terra, diante dos homens. Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar.” Apocalipse 13:13-14
Fonte: Ellen G. White em O Grande Conflito Capítulo 34